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Movimentação do mercado da Arquitetura.

Movimentação do mercado da Arquitetura.

21 de março de 2019

O texto intitulado “As crianças estão bem: como a grande recessão deu forma à entrada desta geração na arquitetura”, publicado originalmente pelo site Common Edge – organização dedicada a reconectar arquitetura e design com o público – foi traduzido pelo site Archdaily e faz um convite à reflexão.

O conteúdo é assinado por Duo Dickinson, arquiteto há mais de 30 anos, autor de oito livros, crítico de arquitetura para o New Haven Register, escreve sobre design e cultura para o Hartford Courant e está no corpo docente do Building Beauty Program no Instituto Sant’Anna em Sorrento, Itália.

O profissional começa o texto afirmando que a economia e a tecnologia afetam todas as profissões. “Mas, desde a Segunda Guerra Mundial, talvez nenhuma profissão tenha experimentado mais mudanças tecnológicas do que a arquitetura. Essas mudanças ocorreram, paradoxalmente, dentro de um modelo profissional bem estabelecido de desenvolvimento pessoal: a estrutura tradicional de aprendizado na academia, e o posterior estágio para o licenciamento, tem sido a estrutura da prática há quase dois séculos nos Estados Unidos”, explica Dickinson.

 

Tecnologia de mãos dadas com a experiência em campo

Nos Estados Unidos, 6 mil arquitetos são graduados todos os anos, enquanto existem apenas 2.500 empregos. O escritor, então, decidiu conversar com quatro jovens arquitetos para saber como se sentem. Dois deles adotaram sem pestanejar as novas tecnologias. Outros dois, após estagiarem e adquirirem experiência em campo, cederam também à facilidade do mundo digital, que torna a distância menos relevante para o trabalho em equipe: há cinco anos eles trabalham juntos mas em cidades diferentes.

Dickinson também conversou com um arquiteto “das antigas”, antenado com as novas tecnologias, mas que não abre mão do estágio, do aprendizado em campo, tão crucial para os primeiros anos de profissão. Dessa forma, o autor mostrou que cada geração acredita que tem oportunidades e desafios únicos. Mas a engenhosidade e a determinação daqueles que começam na profissão é algo atemporal. “Apesar das mudanças assustadoras e de um futuro imprevisível, a arquitetura continua sendo uma devoção permanente”, conclui.

 

Números mostram a profissão em curva ascendente

No Brasil, o cenário é diferenciado. Segundo o Anuário de Arquitetura e Urbanismo 2018, nosso país apresentou a retomada do crescimento em 2017 após dois anos de queda e estagnação. Foram realizadas 1,4 milhão de atividades, o que resulta em um aumento de 2,5% em relação ao ano anterior.

Vale destacar o mercado de reformas: 20% mais atividades desde 2015. Uma das razões é a Norma de Reformas da ABNT, publicada em 2014 e que obriga moradores de condomínios a apresentarem projeto técnico assinado por engenheiro ou arquiteto.

Outra tendência são execuções de obras por arquitetos. Esse tipo de trabalho apresentou crescimento de 6%, mais que o dobro da média.

 

Diferenças regionais

Por sua dimensão continental, o Brasil abriga realidades distintas. O crescimento médio de 2,5% inclui desde o aumento de 25% em Rondônia e a queda de 15% em Alagoas. Ou o crescimento de 7% em São Paulo e queda de 1% no Paraná. Esses dados sinalizam que as diferenças regionais não podem ser subestimadas: não se pode tratar o país como se fosse um padrão uniforme, sem contrastes. Torna-se necessário analisar as particularidades de cada localidade e aprender com elas.

E isso vale também para o número de novos profissionais. Em Rondônia, por exemplo, a população de arquitetos e urbanistas mais que triplicou entre 2012 e 2017. E as atividades realizadas por esses profissionais quase quadruplicou. Em 2017, o estado ganhou 18% mais arquitetos, e as atividades subiram 25%.

São Paulo, que concentra um terço da população de arquitetos do País, entre 2012 e 2017, contou com o crescimento de 39% da população de arquitetos e de 63% do mercado de trabalho. Já no Rio Grande do Sul, 39% mais arquitetos geraram apenas 38% mais atividades.

 

Mercado da arquitetura hospitalar e da saúde

Pela nossa experiência – ACR Arquitetura atua desde 1997 no setor de saúde –, o mercado de arquitetura para a saúde vem apresentando um cenário interessante e próspero.

Observamos que a concorrência vem estimulando as instituições médicas a oferecer o melhor em medicina, em tecnologia, atendimento e também em arquitetura.

Mais e mais o mercado procura por projetos melhores e mais elaborados, por edificações mais flexíveis e longevas, onde a sustentabilidade é um dos pilares. Um projeto sustentável é antes de tudo um projeto contemporâneo e responsável.

Os hospitais e centros médicos são cada dia mais especializados e com isso trazem especificidades em suas estruturas, o que requer profissionais, como arquitetos e engenheiros, mais capacitados e atualizados.

 

Complexidade de um projeto hospitalar

O programa de necessidades de um projeto hospitalar é algo complexo. Por isso, para se planejar e implantar um edifício assim é fundamental a participação de profissionais de diversas áreas.

Diante desse cenário, a arquitetura de saúde vem se aprimorando a cada projeto, ajudando a rever e a elaborar soluções e processos, tendo em vista melhores instalações, a eliminação de desperdícios, a otimização de recursos naturais e empenhando-se em criar a melhor experiência possível para pacientes, colaboradores e fornecedores.

Recursos tecnológicos vêm surgindo o tempo todo – como a tecnologia digital e a realidade virtual –, levando arquitetos a elaborarem um projeto mais eficiente que permita as melhores práticas de saúde. Isso sem falar da telemedicina que ganha cada vez mais espaço, IoT (Internet of Things), softwares inovadores, entre muitas outras ferramentas e possibilidades.

Uma coisa é certa: arquitetura é ativo de valor nos hospitais, não se sabe quantos profissionais ou escritórios especializados na área existem no Brasil, mas percebe-se que é um território fértil, desafiador, em franca expansão.

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