Voltar | Home / Mídia / Planejamento dos espaços hospitalares

Planejamento dos espaços hospitalares

Planejamento dos espaços hospitalares

11 de abril de 2019

O edifício hospitalar é uma construção que apresenta muitas particularidades. Nele, convivem alta tecnologia, atividades multiprofissionais, práticas médicas e clínicas diferenciadas, equipe de trabalho e usuários a serem atendidos. E conhecer cada um desses universos é tarefa primordial que antecede o processo de planejamento e de criação do projeto arquitetônico.

 

De forma geral, projetar um edifício de saúde – de pequena, média e alta complexidade e porte –, envolve muitas frentes (hotelaria, nutrição, segurança do paciente, segurança do trabalho, manutenção, entre diversas outras) e subdivide-se em três etapas: programação de saúde, programação arquitetônica e projeto arquitetônico.

 

A programação e o projeto arquitetônico tratam do planejamento da estrutura física do hospital. Na programação é elaborado o perfil físico da instituição, juntamente com sua estrutura funcional, havendo a participação de profissionais de diferentes áreas. Já o projeto é uma etapa mais específica, ficando sob a responsabilidade de arquitetos e engenheiros, que representa a materialização das fases anteriores.

 

Dela depende uma série de variáveis, as quais precisam ser estudadas e analisadas com cautela, pois nortearão a atividade de concepção do espaço. Dentre dos muitos aspectos a serem trabalhados na elaboração do projeto arquitetônico tem um que vem ganhando cada vez mais espaço pela própria relevância: o projeto de segurança contra incêndio. É disso que vamos falar hoje.

 

O ideal é que o expert nesse assunto já integre a equipe na concepção de qualquer projeto, principalmente o de um ambiente de saúde. “É mais barato para o cliente, eficaz diante dos imprevistos e seguro para todos: pacientes, acompanhantes e colaboradores ”, explica Marcos Kahn, engenheiro eletricista com pós-graduação em Segurança do Trabalho e diretor da KB Engenharia, que continua: “Torna-se essencial enxergar o ambiente de saúde sob duas óticas: como ele opera rotineiramente e também como opera em situações de emergências, resguardando a continuidade de sua operação”.

 

Projeto de segurança contra incêndio em espaços hospitalares

O olhar do engenheiro de segurança contra incêndio vai muito além da colocação e distribuição de hidrantes, extintores e outros dispositivos ativos de segurança – que são imprescindíveis, sem dúvida. “É possível determinar que o gerador fique no canto do prédio, e não no meio; que uma cozinha seja instalada no alto do edifício, para dificultar a propagação do fogo, enquanto um auditório para 300 pessoas se localize no andar térreo, para facilitar uma eventual evacuação. As UTIs poderiam ficar em um só canto do hospital, com acesso a escadas mais largas do que as demais. Enfim, há uma série de soluções que podem ser colocadas em prática, permitindo que a edificação seja efetivamente mais segura”, esclarece Kahn.

 

No caso de o hospital já existir e estar em plena operação, a saída é aproveitar reformas e ampliações para reforçar a segurança contra incêndio. “Pode-se mudar o tipo de extintor, apostar em um tipo de hidrante diferente, fazer uma parede resistente a fogo, colocar uma porta corta-fogo numa área de maior risco. São coisas simples, fáceis de serem postas em prática”, exemplifica o especialista.

 

O plano eficiente de engenharia de segurança contra incêndio prevê inclusive a forma de locomover pessoas de maneira adequada no próprio prédio ou para fora dele – e muita gente sequer sabe disso. Como exemplo, Kahn relembra um acontecimento muito triste ocorrido no fim do ano passado. No começo de novembro, chamas destruíram parte do Hospital Lourenço Jorge, na cidade do Rio de Janeiro. Quatro pacientes idosos infelizmente faleceram pelo modo inadequado de como ocorreu a transferência para outra unidade de saúde.

 

A importância de conhecer a dinâmica do hospital

Outra sugestão do especialista é envolver ainda mais os bombeiros em todo o processo. Eles fazem a vistoria técnica – para a edificação receber o alvará –, mas não necessariamente conhecem todas as dinâmicas de um hospital. “Trazê-los para dentro da instituição de saúde, fazer um simulado com eles, seria bastante interessante no possível combate ao fogo e no resgaste de pessoas”, analisa Kahn.

Mas aí se esbarra em um dado preocupante. Uma rápida pesquisa no Google traz uma reportagem alarmante, publicada pelo portal G1: apenas 14% das 5.570 cidades brasileiras têm Corpo de Bombeiros. Se o texto publicado em abril de 2013 fosse atualizado para agora, abril de 2019, o número infelizmente seria o mesmo.

“Seis estados dos 27 não possuem autoescada ou autoplataforma”, garante Kahn, revelando que ocorrem mais de 300 mil de incêndios no Brasil por ano. A maioria – 74% – acontece em locais ao ar livre, como praças, estradas e vegetação. Os 26% restantes envolvem casas e prédios. E nesse grupo estão inclusas as edificações de saúde: cerca de 1,6% dos hospitais e clínicas têm problemas com o fogo.

Há muito que ser feito. Mas cada projeto – de toda e qualquer área – é a chance de conscientizar gestores e investidores da importância de apostar na segurança contra incêndio.

 

ACR Arquitetura

 

 

Top