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Ritmo circadiano e sua importância em ambientes de saúde

Ritmo circadiano e sua importância em ambientes de saúde

09 de maio de 2019

Cada vez mais as pessoas procuram viver de forma saudável. Apostam em alimentação equilibrada, atividades físicas, hobbies diversos e, no fim, tentam dormir de sete a oito horas por noite para garantir energia necessária para o dia seguinte.

 

Esse ciclo de sono/vigília que dura aproximadamente 24 horas é chamado de ritmo circadiano e tem enorme impacto na saúde humana. Desempenha um papel importante no sono, no desenvolvimento cognitivo e no sistema imunológico. Porém pequenas alterações na rotina e no ambiente podem desregular o ciclo.

 

Muita gente nem percebe o efeito desse desequilíbrio no bem-estar físico, emocional e mental. O site www.chronobiology.com, que trata sobre Cronobiologia, ciência que estuda o ciclo dia-noite que afeta o organismo humano quando a terra gira, relata um exemplo: uma iluminação bem projetada pode ajudar os funcionários de uma empresa a se sentirem mais despertos e alertas, enquanto a errada pode atrapalhar seu ritmo circadiano, perturbando-os. Traduzindo: existe forte ligação entre ter boa saúde e espaços em que as pessoas vivem parte dos seus dias.

 

No artigo Iluminação para a saúde e o bem-estar: benefícios do ritmo circadiano, publicado no último 10 de abril, Adeleh Nejati, pesquisadora e planejadora de saúde do escritório HMC Arquithects, em San Jose, EUA, explica que os ritmos circadianos são controlados pelo núcleo supraquiasmático (NCS) – pequena região na frente do cérebro localizada logo acima dos nervos ópticos, que funciona como um despertador para o corpo – e pela glândula pineal. “Porém os fatores ambientais têm grande impacto sobre eles. Interrupções nos ritmos circadianos normais podem levar a sérios problemas, como distúrbios do sono, obesidade, diabetes, depressão, doenças cardiovasculares e câncer.”

 

Ritmo circadiano no desempenho dos profissionais

O bom fluxo do ciclo circadiano é tão importante que, em 2016, a Delos, empresa pioneira de Wellness Real Estate, e a Mayo Clinic, organização sem fins lucrativos da área de serviços médicos e de pesquisas médico-hospitalares, criaram o Well Living Lab, centro de pesquisa inovador dedicado a entender a interação entre saúde e bem-estar e ambientes internos por meio de pesquisas centradas no ser humano.

 

No “guarda-chuva” saúde, os especialistas vêm examinando os seguintes temas: desempenho, estresse, resiliência, sono e conforto. Um dos recentes estudos mostrou que, quando os funcionários não tinham acesso à luz natural e não conseguiam olhar pela janela, seus humores eram afetados negativamente. Bastava olhar para fora que tudo ficava melhor. Em outra pesquisa, colaboradores de uma empresa relataram que, quando a área do escritório tinha iluminação cálida, eles dormiam melhor à noite.

 

Ritmo circadiano em projetos arquitetônicos hospitalares

Dá para imaginar quanto é importante considerar o ritmo circadiano ao projetar um ambiente de saúde. Em entrevista ao site MedScape, para o artigo Luz que cura: iluminação baseada no ritmo circadiano em hospitais, Mariana Figueiro, diretora do Lighting Research Center, do conceituada Instituto Tecnológico Rensselaer em Troy, Nova York, explicou que nas últimas duas décadas aprendeu-se muito sobre o impacto da luz na saúde.

 

Segundo a especialista, pacientes que permanecem internados por duas ou mais semanas sob uma iluminação fraca e constante podem sofrer a inibição da produção de melatonina durante o dia e também da falta de liberação desse hormônio, que induz o sono à noite. “Quando o ciclo de sono e vigília é invertido, a insônia, o cansaço e o sono durante o dia, resultantes dessa inversão, podem aumentar o risco de depressão e a necessidade de medicação analgésica, podendo até mesmo levar a maior tempo de recuperação”, declara Mariana.

 

Estudos de iluminação circadiana, feitos pelo Lighting Research Center mostram que recriar as transições da luz natural em um período de 24 horas funciona bem em vários contextos clínicos, desde lares de idosos até unidades neonatais de tratamento intensivo. Benefícios clínicos foram observados em pacientes com mieloma após transplante de medula óssea, pacientes com doença de Alzheimer e naqueles em reabilitação pós-acidente vascular cerebral agudo.

 

Para Mariana, os resultados obtidos são bastante contundentes. “Estar internado piora o sono. Não há razão para não fornecer iluminação em ciclos para todos os pacientes em todas as instituições de saúde.”

 

Ritmo circadiano no Brasil

Em 2015, o artigo O impacto da iluminação artificial e o ambiente de saúde – Parte 1, de Marcos Cardone, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Estudos Hospital Arquitetura – NUPEHA, cita o trabalho pioneiro da arquiteta Célia Bertazzoli que, em 2006, já se preocupava com o tema dos ciclos biológicos, a recuperação dos pacientes e o bem-estar dos colaboradores ao projetar a torre de especialidades médicas do Hospital Santa Catarina de São Paulo.

 

A profissional priorizou janelas em todas as faces do edifício, instalando em cada uma controle de iluminação natural e de redução dos níveis de ruído por meio de caixilhos com vidros de alta performance e insulados com persianas, associados ao sistema de light design e climatização em unidades de terapia intensiva geral, pediátrica e neurológica, revolucionando o conceito desses ambientes.

 

“Sempre procurei trabalhar com as equipes médicas o tema da luz natural em ambiente de UTI para que o organismo possa perceber o ciclo do dia e da noite por meio da luz natural no ambiente, mesmo que o paciente não esteja consciente. Hoje me parece um conceito bastante aceito e amplamente aplicado. O que necessitamos agora é ajustar a luz artificial para ampliar a qualidade do ambiente de saúde por aqui”, afirmou Célia no artigo.

 

Ritmo circadiano por ACR Arquitetura

O papel principal da arquitetura é promover abrigo, proteção e bem-estar ao ser humano, mantendo contato com a natureza. Dessa forma, é primordial que os arquitetos tenham conhecimento da fisiologia e dos processos relacionados ao funcionamento do chamado relógio biológico.

 

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