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Tecnologia e psicologia na arquitetura hospitalar

Tecnologia e psicologia na arquitetura hospitalar

02 de maio de 2019

Há dez anos a conceituada revista Forbes faz análises para o universo da saúde. No artigo publicado em novembro de 2018, Reenita Das, sócia e vice-presidente sênior de Healthcare and Life Sciences da Frost & Sullivan, empresa global de consultoria e pesquisa em crescimento, afirma que 98% das previsões para o ano passado se realizaram e faz suas apostas para2019.

 

Entre elas, está a expansão do mercado de aplicativos, auxiliando no diagnóstico por imagem, na descoberta de medicamentos e também em APPs de análise de risco. Uma das consequências do uso da Inteligência Artificial será o crescimento em 30% da tecnologia de saúde digital fora do hospital, capacitando os indivíduos a serem capazes de gerenciar a própria saúde.

 

O texto também destaca a tecnologia blockchain, sistema que armazena dados de pacientes e dos próprios colaboradores, trazendo agilidade e confiabilidade no atendimento clínico, e a maior personalização dos planos de saúde, orientados por dados sobre estilo de vida e saúde de seus clientes.

 

Em outro artigo, de 22 de março de 2019, Gregory Raiz, diretor de Inovação da Rightpoint, agência independente de experiência do cliente certificada para o desenvolvimento do ISO 13485 SaMD, afirma: “Estamos vendo o hospital perder suas paredes. A tecnologia está permitindo que partes da experiência hospitalar aconteçam fora dos espaços físicos tradicionais e isso está mudando a saúde para todos”.

 

Estamos mesmo projetando para seres humanos?

Não há como não aplaudir a evolução tecnológica na área da saúde. Sabe-se que a cada ano surgirão soluções para ajudar os médicos em seus diagnósticos e pesquisas, aprimorando fluxos de tratamento e atendimento. Afinal, esse é um mercado em constante mutação.

 

Porém, algumas paredes do hospital vão continuar em pé, como as do quarto do paciente. Muitas vezes as instituições investem em uma arquitetura moderna e arrojada, proporcionando ao cliente desde a entrega do carro, no estacionamento, passando por halls, salas de espera e corredores, uma experiência acolhedora e harmoniosa, que muitas vezes termina assim que ele entra no quarto com “cara” de hospital.

 

Tal situação lembra recente análise feita pelo arquiteto alemão Thomas Neugschwender, citado no artigo Precisamos de uma arquitetura centrada no ser humano!, do site Medium: “Hoje em dia, a eficiência se tornou um fator essencial em nosso trabalho, a funcionalidade domina, os seres humanos perderam seu status como referência para o ambiente construído, o que é paradoxal porque estamos construindo para as pessoas.”

 

Psicologia na arquitetura hospitalar

A saída não é simplesmente colocar um vaso com flores sobre a mesa, pendurar um quadro mais bonito ou mudar o tecido da cadeira. Um hospital contemporâneo – além de se manter integrado com o que há de mais inovador para oferecer inclusive um atendimento preventivo – deve investir em um projeto arquitetônico que use os recursos tecnológicos em prol da experiência do paciente.

 

Mas muitas vezes isso não se concretiza. Segundo o artigo citado, o psicólogo alemão Ricklef Rambow vê que há muitos arquitetos interessados na arquitetura centrada no ser humano, “porém as ideias são frequentemente adiadas por causa de restrições financeiras, já que aspectos que causam custos adicionais são os primeiros a desaparecer.”

 

Para resolver essa questão, Pall Jakob Lindal, arquiteto, proprietário do escritório do TGJ em Reykjavik e psicólogo ambiental na Universidade da Islândia, vem lutando por mais colaboração entre disciplinas. Ele propõe que arquitetos não trabalhem apenas com engenheiros e urbanistas, mas também integrem psicólogos. Estes profissionais estão, ao lado de sua equipe, desenvolvendo software que permitirá experimentar ambientes construídos de forma ainda mais realista. “Isso deve possibilitar que planejadores testem projetos para seus efeitos nas pessoas”, explica o arquiteto.

 

Já existe no mercado o Archilyse, startup que fornece informações para otimizar vários processos em cada etapa do ciclo de vida dos imóveis. Fatores como acesso à luz do dia, altura do teto ou vista de um apartamento, escritório ou quarto de hospital, isto é, aspectos que têm efeitos psicológicos nas pessoas, estão integrados em sua avaliação arquitetônica.

 

Experiência do cliente em primeiro lugar

No ano passado, ACR Arquitetura criou um apartamento de internação usado para demonstrar algumas dinâmicas relacionadas a facilities durante a 25ª edição da Hospitalar – Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Hospitais, Laboratórios, Farmácias, Clínicas e Consultórios – a principal feira multissetorial de saúde das Américas e a segunda maior do mundo.

 

Atores encenaram diversos serviços prestados nos quesitos enfermagem, nutrição, higienização, gestão de resíduos e hotelaria, interagindo com um ambiente confortável, em que o emprego de materiais naturais, como a madeira, e de cores mais vibrantes priorizou o bem-estar do paciente e seu acompanhante.

 

Um dos destaques foi o tablet, plataforma de comunicação usada para controlar a iluminação do quarto, a temperatura do ar-condicionado, o fechamento da cortina, o controle da televisão e também acionar o posto de enfermagem e fazer vídeo chamadas, além de outras funcionalidades.

 

Leito hospitalar por ACR Arquitetura

O designer deve sempre manter o foco nas pessoas para construir soluções implementáveis e viáveis. O leito hospitalar, por exemplo, deve conciliar os aspectos técnicos ao design de modo que promova uma boa experiência tanto ao paciente como ao acompanhante.

 

O apartamento de internação – como o criado para a Hospitalar – tem que ter um layout proporcional, que gere confiança, segurança, comodidade e privacidade. É fato: qualquer ambiente deve ter significado, identidade, e nunca ser resultado circunstancial de diversas demandas não coordenadas.

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